Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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“Guerras híbridas” no contexto da América Latina no século 21
Igor Fuser

##manager.scheduler.building##: Departamento de Ciência Política/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 10
Data: 2019-05-09 09:00  – 10:30
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


O trabalho utiliza o conceito de “guerra híbrida”, desenvolvido no contexto de conflitos ocorridos na Ásia Central e Oriente Médio no pós-Guerra Fria, para analisar as estratégias e táticas de derrubada de governo na América Latina a partir dos Estados Unidos. Um traço marcante na busca da hegemonia global pelo EUA é o uso recorrente de intervenções políticas para remover governos contrários aos seus interesses.  A novidade nas intervenções políticas do pós-Guerra Fria é a preferência por métodos indiretos e flexíveis. Já há muito tempo os estrategistas de Washington aprenderam com a experiência das insurreições de esquerda e agora lançam mão de métodos como os protestos de rua, a ocupação de edifícios públicos, as greves e os bloqueios para desestabilizar governos considerados “hostis”. Na atualidade, agregam-se a esses recursos as operações psicológicas desencadeadas com o uso intenso da internet. O objetivo de subversão da ordem existente é o mesmo, mas agora a ação se dá por dentro da sociedade, com maior eficácia – e forte aparência de legitimidade.

A “guerra híbrida” se apresenta de duas formas diferentes. A primeira é a “revolução colorida”, em que multidões são mobilizadas a partir de temas escolhidos com base no potencial de gerar inconformismo. Esse tema pode ser a corrupção (Brasil), a insegurança urbana (Venezuela), a reforma da previdência (Nicarágua) ou a cobrança de um imposto (Equador). O importante é que o problema só pode ser resolvido com a saída da pessoa e/ou da agremiação política que se encontra no poder. Quando a “revolução colorida” se mostra insuficiente, passa-se à etapa seguinte, a da guerra não-convencional, onde entram em cena as ações violentas, como parece ser o caso na Venezuela atual.


Palavras-chave


Política; Hegemonia; Progressismo; Esquerda, democracia.