Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Interlocuções político-intelectuais latino-americanas e caribenhas na conjuntura tanzaniana pós-libertação
Felipe Brito Macedo

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 10
Data: 2019-05-07 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


Este artigo tem por objetivo analisar intercâmbios de ideias e intelectuais entre América Latina, Caribe e África, no período dos movimentos de libertação deste continente (1950-70), centrando a análise na Tanzânia, um polo importante dessa circulação transcontinental Sul-Sul. No decorrer do processo de independência e unificação nacional deste país (1961-64), forma-se um regime político não-alinhado, presidido por Julius Nyerere – a mais expressiva liderança política e intelectual tanzaniana – proclamado como Socialismo Africano, uma orientação que centrasse a experiência socialista na realidade africana e suas particularidades de inserção na modernidade. As movimentações em torno da formação deste regime, a preponderância no apoio às lutas de libertação africana e antirracistas e os incentivos do governo nacional para educação básica e superior condicionaram a confluência de intelectuais e ideias de diversas origens. Além do fluxo assimétrico com a Europa, pelo vínculo colonial, que eram comuns a institucionalização de Estados pós-coloniais no século XX, manteve-se um destacado fluxo de políticos e intelectuais africanos – sobretudo por Tanzânia sediar bases e manter escritórios dos principais movimentos de libertação africanos e um dos principais centros intelectuais do continente, a Universidade de Dar es Salaam; caribenhos – envolvidos em movimentos antirracistas, que estabeleciam vínculos também com os movimentos negros estadunidenses, formando um circuito próprio e importante; e latino-americanos, envolvidos sobretudo nos debates do subdesenvolvimento dependente em diferentes orientações disciplinares. Esta pesquisa destaca estes dois últimos fluxos, que não são predominantes frentes aos outros dois abordados, mas os menos analisados na literatura, rastreando a trajetória dos intelectuais e os fluxos de ideias caribenhos e latino-americanos circulantes neste cenário intelectual transnacionalizado. Verifica-se como estas influências dialogam com os debates locais como a proposição de vias autônomas de desenvolvimento, de unidade panafricana, combate ao colonialismo e ao racialismo e convergiam em críticas mais abrangentes à estruturação eurocentrada da modernidade.

 


Palavras-chave


Socialismo Africano; Pan-africanismo; conexões afro-latino-americanas; pensamento descolonial