Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Ocupação Tereza de Benguela - luta social por políticas para mulheres
Tainã Góis

Última alteração: 2019-04-13

Resumo


Este breve estudo buscará analisar a ocupação de mulheres Tereza de Benguela – Zona Leste/SP a partir da formação teórica latino-americana feminista, fundamentalmente a partir do conceito de reprodução social, que será usado com a ajuda de outros elementos de sua produção teórica que ajudem a situar o pensamento da autora quanto as dificuldades que o movimento feminista encontra em sua relação com as lutas contra a mercantilização da vida frente ao poder público. Nos pareceu interessante realizar essa sobreposição, para aportar uma contribuição sólida na busca por uma saída que não reforce o paradigma de estado forte provedor, alvo de crítica das feministas materialistas da segunda onda, sem se deixar entortar pelas necessidades do paradigma neoliberal, desvio do qual acusa um feminismo mais recente, que teria se deixado levar por questões identitárias, fragmentando-se em favor do capital.

A ação de um grupo de mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto organizou a Ocupação Tereza de Benguela para lutar por um espaço com finalidade de viabilizar sua atuação política frente às necessidades de mulheres vitimas de violência, cogerido pelo movimento e pelo poder público. Mulheres que vivem cotidianamente a carência de políticas públicas, a escolha por combater essa condição na sociedade de classes parece encontrar um ponto de encontro entre as lutas por reconhecimento, redistribuição e representatividade. Articuladas em torno de suas necessidades concretas, essas mulheres acabam demandando não apenas a alocação de recursos para lidar com as necessidades daquelas que não tem acesso a rede privada de cuidados, como também denunciando a ineficárcia da condição burocratizada e impessoal dos serviços sociais tratados como mercadorias.

Não se trata de um fenômeno único, nem mesmo original. A tática de ocupação nas grandes cidades tem crescido bastante nos últimos anos, e movimentos que lutam contra a mercantilização da vida encontram nessa tática uma forma de alocar o problema de forma pública e social, contrario ao avanço neoliberal que tenta privatizar e mercantilizar cada vez mais as questões da reprodução. Também não se trata de ocupação única a tratar da questão de gênero na cidade de São Paulo. No mesmo período, a ocupação Marias da Consolação, no centro e São Paulo, evidenciava a dificuldade das mães solo em conseguirem prover todas as necessidades de vida de sua família – alimentação, moradia, educação, cuidado, com as condições de vida cada vez mais precárias que nos deixa a desvalorização da proteção ao trabalho.

Esse trabalho tem como proposta, então, a partir de um estudo de caso sob a metodologia de observaçãp-participante, delimitar elementos que, particularizados na ocupação Tereza de Benguela, possam levantar alguns elementos para se pensar nas necessidades desse feminismo que faz frente ao neoliberalismo e ao patriarcado, a partir de suas demandas frente ao Estado e frente às demais esferas da sociedade civil. Para enraizar a análise, buscaremos trazer um pouco das experiências individuais dessas mulheres, como forma de tentar buscar ligações entre as questões individuais e movimentos mais estruturais.




Palavras-chave


Teoria da reprodução social; Movimento social, feminismo, ocupação, Políticas públicas