Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

Tamanho da fonte: 
A economia política do ciclo das esquerdas e da ofensiva neoconservadora: cenários para o futuro
Carlos Eduardo Da Rosa Martins

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 21
Data: 2019-05-09 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-05-03

Resumo


A ascensão das esquerdas, iniciada após a eleição de Hugo Chavez em 1999, se estendeu até 2014. Em 2015, o kirchenerismo perdeu a reeleição, a MUD venceu as eleições parlamentares na Venezuela, abrindo profunda crise política; em 2016, o governo de Dilma Rousseff foi deposto por um golpe de Estado que alcançou a principal economia latino-americana, e o acordo de paz assinado entre o governo colombiano e as FARC foi rechaçado; em 2017,a direita chilena venceu as eleições e, em 2018, a extrema direita o fez no Brasil.

Buscaremos analisar a partir dos marcos analíticos da teoria da dependência e do enfoque do sistema mundo este cenário de crise política do ciclo das esquerdas na América Latina. Destacaremos entre os seus principais motivadores: a baixa correlação entre as políticas de integração soberana e aquelas efetivamente praticadas, o que fragilizou os governos com maior vulnerabilidade em seu balanço de pagamentos; o centrismo nas políticas públicas, em particular o do governo brasileiro, lastreado por uma conjuntura de forte elevação dos preços das commodities; o vínculo de longa duração das estruturas da dependência à superexploração do trabalho; a restruturação do imperialismo estadunidense que se converteu em potência petroleira e modificou as políticas da OPEP; e a combinação de queda dos preços das commodities com um período cíclico de predomínio das saídas sobre as entradas de capital estrangeiro na América Latina.

Apontaremos que a crise do ciclo das esquerdas, provavelmente, não dará lugar a um cenário estável de protagonismo das forças neoliberais e neo-fascistas, em função da profundidade da crise da acumulação de capital na América Latina, parecendo indicar uma forte tendência à polarização social e política, como aponta a vitória de Lopez Obrador no México e o recrudescimento dos movimentos sociais na região


Palavras-chave


Economia politica; América Latina; Globalização; Esquerdas; Imperialismo