Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Reprimarização da matriz produtiva na América Sul nos anos 2000: a reiteração do padrão histórico de subdesenvolvimento
Humberto Miranda do Nascimento

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 21
Data: 2019-05-09 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-05-03

Resumo


A ascensão da China, após 2000, como novo centro mundial produtor de manufaturas modificou a divisão internacional do trabalho e pôs em evidência a reprimarização da matriz produtiva das economias periféricas. O objetivo deste trabalho é discutir a reprimarização produtiva em curso, mostrando que esta não pode ser analisada em função do comportamento do comércio exterior apenas, mas principalmente em função das transformações estruturais que se materializam em cada país, a partir de suas regiões produtoras. Nos países sul-americanos, as respostas das políticas econômicas a esse novo contexto não foram completamente passivas no front interno e nem se concentraram exclusivamente nas condições de inserção externa. Diante disso, a hipótese explorada é que estes países apostaram nas exportações de commodities como alternativa possível de articulação entre as fontes externas de crescimento e a dinâmica interna do investimento (e do gasto público), para dar novo impulso a políticas nacionais de desenvolvimento econômico. Com base no levantamento de dados sobre investimentos diretos chineses na América do Sul, discutimos como a concentração dos mesmos em projetos extrativistas (petróleo, minérios e comercialização de soja) vem modificando as alternativas de inserção soberana dos países da região e como as políticas econômicas nacionais responderam ao novo impulso. Pelos dados da CEPAL (2015), verificou-se que 90% dos investimentos estrangeiros da China na região tiveram como destino atividades extrativas, em especial ligadas à mineração e derivados de petróleo, mas, por outro lado, a análise mostrou também que a capacidade de resposta das políticas econômicas dos países foi bastante limitada e acabou produzindo impasses políticos radicais. Nas considerações finais, aborda-se as restrições ao desenvolvimento socioeconômico dos países sul-americanos como uma decorrência do padrão neoextrativista de crescimento que, ao esgotar seu impulso inicial, produz crise e a reiteração do padrão histórico de subdesenvolvimento.


Palavras-chave


Remarização produtiva; América do Sul; Investimento chinês