Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Paz Armada: violência, insegurança e militarização na América Latina
Camila Braga

##manager.scheduler.building##: Prédio da Letras/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 103
Data: 2019-05-08 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


O artigo analisará como grupos armados não estatais (NSAG, sigla em inglês) transformaram suas práticas ao longo das últimas décadas, adquirindo maior proeminência na América Latina.  Em alguns países, passando por processos de transição política, a violência política tem migrado para formas de violência criminal, como é possível observar em El Salvador, Guatemala e Honduras. O nexo entre conflito armado e crime também foi documentado no caso da Colômbia e práticas semelhantes podem ser identificadas em diversas escalas na região. Nossa proposta é questionar a transformação nas práticas desses atores e na forma como exercem sua agência, bem como o papel que a violência empreendida por eles possui na transformação das relações de poder e práticas de segurança em diferentes escalas (locais, nacionais, sub-regionais e regionais). Por outro lado, analisamos como as políticas e práticas de segurança foram alteradas para o seu enfrentamento, passando às análises de agendas e políticas de segurança internacionais, até as práticas locais e comunitárias daqueles que atuam no enfrentamento da violência armada em seus cotidianos. A primeira parte do artigo apresenta nosso objeto (“NSAG”), construindo uma taxonomia para definir as possíveis formas que estes grupos podem assumir a partir dos tipos de violência associados a eles. A segunda seção analisa as formas de violência associadas a processos de transição do conflito armado interno/regime autoritário para a paz civil e democrática. A terceira seção indica quais as formas de violência comumente associadas ao espaço latino-americano, mapeando sua incidência e formas de enfrentamento associadas. Por fim, a quarta e última seção identifica a quadro sistêmico no qual atores e práticas identificadas como “violentas” constroem um cenário de insegurança e instabilidade política que, nas últimas décadas, favoreceu a adoção de medidas autoritárias e proporcionou o alienamento do cidadão comum da política, assim como o retorno de movimentos autoritários na região.


Palavras-chave


NSAG/GANE, violência, insegurança, militarização, América Latina