Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Dicções em pausa: o trauma pós-ditatorial em obras de Julián Fuks e Patricio Pron
Rafael Gurgel Almeida, Mônica de Menezes Santos

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 13/Ilana
Data: 2019-05-09 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-04-25

Resumo


O interesse na produção de uma memória a respeito das ditaduras militares argentina e brasileira é o ativador inicial deste trabalho. A partir dos romances A resistência de Julián Fuks e O espírito dos meus pais continua a subir na chuva de Patricio Pron, investigamos como o registro ensaístico dos dois trabalhos propõe claves de leitura às duas experiências. No romance de Fuks, o narrador tenta depreender onde começou o isolamento silencioso do irmão mais velho – adotado ainda na Argentina, antes de seus pais instalarem-se no Brasil, em outra ditadura. No trabalho de Pron, o gesto é parecido: o narrador, professor universitário na Alemanha, volta ao pampa argentino para visitar o pai doente e, pouco a pouco, é atravessado pela necessidade de falar sobre o medo que inscreveu-se em seu corpo durante a infância – sentimento que retorna como um jorro violento quando regressa à intimidade familiar. As duas produções, portanto, investem na entrada em uma arena onde diversas narrativas se confrontam. Nos termos de Josefina Ludmer, provocam a especulação porque propõem outro modo de conhecimento e giram em torno do “como se, imaginemos e suponhamos: na concepção de uma pura possibilidade.” (LUDMER, 2013, p. 8) Por nos debruçarmos em dois textos inespecíficos, que desbordam seus meios e fragilizam as fronteiras entre “real” e “ficção”, mobilizamos bibliografia como Frutos estranhos de Florência Garramuño e Espaços da recordação de Aleida Assmann. Deste modo, interessa-nos sobretudo também especular sobre essa dicção latino-americana pós-ditatorial que tenta acessar uma dor através da palavra – no caso das referidas obras, uma dor que é herdada. O material selecionado e cotejado revela aproximações no gestual ético-estético dos dois autores, sobretudo pela incapacidade em distender-se e pela necessidade de falar em pausas

Palavras-chave


Literatura contemporânea; Ditaduras militares; Memória; Trauma; Julián Fuks; Patricio Pron