Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Candombe: apropriação de um passado
Nadia Ayelén Medail

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 10
Data: 2019-05-08 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-05-02

Resumo


A sociedade argentina foi construida a partir do mito de que não há negros no território nacional, e de que os descendentes de escravizados foram dizimados nas guerras pela independência e consolidação estatal. Porém, a presença significativa da comunidade afrouruguaia na vida cultural argentina nas primeiras décadas do século XXI, levou a comunidade afroargentina a questionar-se sobre sua própria representatividade, sua permanência e difusão de suas tradições dentro da história oficial. Desde então, há um esforço, tanto da comunidade afroargentina quanto do mundo acadêmico, em mostrar as raízes e a herança cultural africana na história argentina: senso da população afroargentina em 2010, cátedra livre de estudos afroargentinos na Universidad Nacional de La Plata (UNLP), são alguns destes esforços. Ainda nessa direção existem candombes afroargentinos, que diferem do afrouruguaio em ritmo, tipos de instrumentos, performance e lugares de encenação, e que foram mantidos dentro do âmbito doméstico, por famílias que se autodenominam “Afrodescendentes de tronco colonial”. São estes: o candombe do litoral, de Camba Cua e o candombe afroportenho, que será o centro da pesquisa. Apesar disso, o discurso oficial, e grande parte do discurso independente, coloca o candombe afrouruguaio (que vem ganhando participação popular nas ruas de todo o território argentino) como uma reminiscência da tradição afroargentina.

Neste trabalho, a partir da vivência cultural, da coleta de dados publicados em diversas mídias e bibliografia pertinente, pretende-se demonstrar que esta prática de origem afrouruguaia é tomada como própria para preencher as lacunas que a história oficial argentina provocou. A partir do discurso de um passado em comum, devido ao cenário geográfico do Rio da Prata, novamente invisibiliza-se a comunidade afroargentina e suas práticas que ainda persistem. Assim, a imigração uruguaia torna-se sujeito desta história (re)inventada.


Palavras-chave


Cultural afroargentina; Cultura afrouruguaia; Candomble; Invisibilização; História;