Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Tradições interpretativas latino-americanas silenciadas no campo das Relações Internacionais: um comprometimento (histórico) por autonomia na produção do conhecimento
Marina Scotelaro de Castro

##manager.scheduler.building##: Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 261
Data: 2019-05-07 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


O campo das Relações Internacionais foi historicamente fundamentado em uma lógica racionalista que empreendeu, em concomitância a outras estruturas epistemológicas criadas a partir da modernidade eurocêntrica, a continuidade da legitimação para a dominação material sobre as periferias mundiais – nas quais se inclui a América Latina e Caribe. Esse movimento - que se estendeu, em larga medida, à várias áreas das Ciências Sociais desde metade do século XVIII - incidiu sobre as possibilidades de empreendimentos científicos autóctones fora do centro anglo-saxão. Com isto, as categorias analíticas que se aproximavam das realidades latino-americanas de forma mais consistente e pragmáticas foram subsumidas e silenciadas. Para além da crítica já consolidada no campo dos saberes, o pensamento decolonial abriu espaço para a emergência de leituras próprias e geo-socialmente localizadas na América Latina. Frente a esta problematização, o trabalho buscas atribuir às alternativas analíticas silenciadas no campo de Relações Internacionais os valores ontológicos e epistemológicos das contribuições locais a uma desconstrução das categorias binárias, excludentes e hierarquizantes sobre o ‘internacional’ oriundas do centro do campo. Aliado a isso, pretende-se identificar as principais variáveis e elementos interpretativos que conferem às vertentes latino-americanas – tais como estruturalismo cepalino, teoria da dependência, e abordagens da autonomia – o status de teorias latino-americanas de Relações Internacionais. Logo, tais teorias marginalizadas ao longo da história científica da região, ao se enquadrarem como interpretações legítimas de uma determinada Ciência, adquirem um capital científico que contribui para entendimentos mais amplos sobre os processos e dinâmicas internacionais a partir do olhar latino-americano, contemplando sua potencialidade e conferindo-lhe o valor negado pelo paroquialismo das RI. Espera-se, com estes movimentos interpretativos, contribuir para as sistematizações existentes em torno deste tema, ressaltando a validade desses movimentos analíticos e sua identidade enquanto uma disciplina com características próprias da região, parte de um projeto de Relações Internacionais, de fato, Globais.


Palavras-chave


Campo Relações Internacionais; América Latina; Descolonização do saber