Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Para uma Geografia em Espiral: Da Luta Política à Luta Epistémica e de Volta à Primeira
Felipe Rodrigues Azevedo

##manager.scheduler.building##: Departamento de Ciência Política/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 118
Data: 2019-05-10 09:00  – 01:00
Última alteração: 2019-05-04

Resumo


Este trabalho tem como desafio imaginar alternativas democráticas para a América Latina no tempo presente. Um caminho que nos parece extremamente profícuo, mas árduo. Para isso se busca a construção de uma teoria que seja aberta e relacional, disposta a produzir o que nas linhas de Boaventura de Souza Santos (2007) se configuraria enquanto uma "ecologia de saberes", ou nos ensinamentos zapatistas sugeriria "uma teoria tão outra que é prática" (MARCOS, 2008). Essa perspectiva só se torna possível a partir da valorização dos conhecimentos de sujeitos subalternizados como potencialidade evidente de subversão e insurgência, um arquétipo metodológico que fala "com" e não "sobre" (OLIVEIRA, 2014), mais do que isso, transforma o "falar-com" em um "fazer-com" (BARTHOLL, 2018). A partir dessa posição epistemológica apoiamos nossa discussão e direcionamos os argumentos que defendemos nesse texto. Nosso diálogo se pauta em uma aproximação ambiciosa, mas não interesseira com os movimentos populares de luta pela moradia do Rio de Janeiro, mais especificamente o Projeto de Moradia Social Quilombo da Gamboa, uma organização para a produção autogestionária de habitações de interesse social na metrópole carioca. O grupo, entre outras questões e posicionamentos, promove uma tentativa totalmente diferente de produção do espaço da cidade, o que intitulam "Cartografia das Utopias". Em linhas gerais essa cartografia é uma maneira dos participantes do projeto apontarem as "presenças, ausências e emergências" no que diz respeito aos equipamentos urbanos no entorno do terreno do projeto. Essa compreensão da realidade urbana demonstrada pelos moradores do projeto nos possibilita negar positivamente o que Santos (2007) chama de "monoculturas do rigor e do saber", estrutura basilar de uma "razão indolente", racionalidade que revela a colonialidade no espaço urbano a qual negligencia os saberes subalternos e bloqueia a luta popular como fio condutor para a busca de uma "democracia de alta intensidade".

Palavras-chave


Epistemologia; Pós-Colonialidade; Democracia; Espaço Urbano; Movimentos sociais