Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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“Literatura de Perplexidade”: reflexões sobre História e Literatura na América-Latina
Beatriz de Moraes Vieira

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 13/Ilana
Data: 2019-05-08 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-04-25

Resumo


Esta proposta deriva da pesquisa intitulada “A dor da História (II) - Estudos de História, Teoria(s) e Literatura na América Latina”, que objetiva investigar na região as relações interdisciplinares teóricas e práticas colocadas entre história, literatura/poesia, e as vivências sócio-históricas violentas e dolorosas, as quais incluem os traumas sociais ou históricos. Na América Latina, a crise do modelo civilizacional ocidental do pós-guerra somada à emergência das ditaduras militares e ao aprofundamento da violência política nos anos 1960-70 fizeram-se acompanhar de uma escrita artística e historiográfica com o selo da perplexidade. Com base na Teoria Crítica atenta às relações problemáticas postas entre experiência histórica dolorosa, formação social, política e literatura (Walter Benjamin, Eric Auerbach, Th. Adorno, Carlo Ginzburg, Michel Löwy, Antonio Candido, Paulo Arantes, entre outros), busco compreender essa perplexidade, comparando-a com os conceitos de “trauma sócio-histórico” e de “literatura de testemunho” (Dominick La Capra e Equipes de Clínica e Política do Cone Sul). As hipóteses da pesquisa apontam que: a) há na América Latina uma “literatura de perplexidade” produzida em contextos de extrema violência e “excepcionalidade”. Esta possui um “teor testemunhal” específico (Marcio Seligman-Silva), que não se confunde com o testemunho do Holocausto nem com o testimonio tradicional latino-americano, podendo ser considerada um “tipo” literário, que recorre à história de modo complexo por querer o reconhecimento da dor como realidade histórica, recusando-se a dissolvê-la na ficção, mas sem renunciar ao modus poético; b) os topos e matrizes dessa literatura encontram-se, p.ex., nas figuras de pensamento exploradas por Jorge Luis Borges, nos jogos de linguagem e “cronópios” de Julio Cortázar, na complexidade acidamente alusiva do romance “policial” de Ricardo Piglia, nos inúmeros véus intertextuais de Roberto Bolaño, na ironia subjacente aos “recursos do método” que informam o “real maravilhoso” de Alejo Carpentier, nos debates sobre o tempo de Otávio Paz

Palavras-chave


perplexidade, violência política, crise civilizacional, ditadura militar, topos literário