Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Barroco na América Latina – crítica e terminologias e modelos
Percival Tirapeli

##manager.scheduler.building##: Departamento de Geografia da FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 11
Data: 2019-05-08 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-05-03

Resumo


O Barroco latino americano sofreu uma crítica eurocentrista que se arrastou por quase todo o século XX, na busca exata dos modelos europeus, em especial da arquitetura espanhola para cá transplantada.Os estudos sobre o estilo Barroco ganharam adeptos na Europa no final do século XIX.  Wölfflin (1864 -1945) publicou Renascença e Barroco (1888), mas foi com seu Conceitos fundamentais da história da arte (1915) que se intensificou, no século moderno, novos olhares sobre as diferenças entre os estilos da Renascença e do Barroco. Seguiram-se a ele muitos outros entendendo o Barroco (Lo Barroco, 1944) de forma mais ampla, como um espírito do tempo, com Eugene d'Ors (1881-1954) e  Arnold Hauser (1892-1978) (História Social da Literatura e da Arte, 1950) que aprofundou as artes plásticas inserindo a literatura e o envolvimento com a sociedade. O cubano Alejo Carpentier (1904 – 1980) assumiu o desfio de provar que o barroco na América estava além de um estilo, propondo analisa-lo como uma constante humana que poderia renascer em qualquer momento e renascesse em muitas criações. Assim pode desenvolver a teoria de transculturação adequada à realidade latino-americana. Teoria seguida por José Lezama Lima e Severo Sarduy a retirar do nicho da história da arte a apenas seguir os modelos europeus ao status de ideologia e uma estética de diferenciação cultural. xiste também uma polêmica causada sobre a terminologia do estilo mestizo, utilizada pelo historiador e urbanista argentino Ángel Guido (1896-1960). Desde 1925, Ángel passou a caracterizar a produção ornamental da região sul peruana-boliviana, como ornamentação planiforme. Posteriormente ampliou as possibilidades de leitura para além do estudo morfológico e suas variações de modelos europeus, acrescendo os modelos autóctones aplicados a este tipo de ornamentação. Nessas leituras que transcenderam as das regiões andinas, avançou-se para uma diferenciação da produção mexicana, guatemalteca e peruana, dentro do mesmo período histórico. Dessa forma apontou-se a possibilidade de compreender a América Espanhola como um todo, e não mais segundo a divisão atual das diversas nações pós-independências (quase todas obtidas por volta de 1820).

Quanto aos modelos europeus executados na América, sejam eles de arquitetura ou ornamentais, não precisariam passar pela matriz Ibérica da Espanha ou Portugal. Segundo Goitia, em Invariantes castizos de la arquitectura española (1947, reedição 1979), um modelo tem repercussões onde for aplicado segundo a leitura e as possibilidades, independentemente de depois vir a ser denominado matriz ou periférico.Se a ornamentação excessiva estimula a crítica daqueles mais acadêmicos, Ramón Gutiérrez aponta que a materialidade empregada nas construções e ornamentações das igrejas - as pedras em vários tons, dureza e porosidade - auxiliam em soluções estruturais a formarem um corpus para uma pesquisa, que vai além de apenas explicitar os modelos. Não seria a materialidade que alteraria a base da arquitetura europeia em solo americano, mas sim as soluções encontradas é que diferenciam estas construções daquelas da metrópole e as dos vice-reinos americanos. Na literatura a América Latina tem seu lugar assegurado na inventividade, no realismo fantástico assim como a arte moderna com o muralismo mexicano e contemporaneirdade pujante dos cinéticos. As novas interpretações baseadas na linguística, semiótica e leituras das relações entre os arquétipos mesoamericanos e as manifestações artísticas coloniais trarão novos olhares sobre a arte da América Ibérica. Também aqui dividida como na Europa entre Espanha e Portugal. Lá a rugosidade da terra árida e a ancestralidade cultural relutam em embates seculares. Aqui porém os horizontes sem fim das Américas são barrados naturalmente pelos infinitos limites de selvas pujantes, de alturas intransponíveis com cumes límpidos, e pela movimentação das águas imensas dos oceanos.


Palavras-chave


Arquitetura; Barroco; Arte