Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Cartografia e arte nas visões de mundo da ditadura militar no Brasil e Argentina
Carla Monteiro Sales

##manager.scheduler.building##: Prédio da Letras/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 103
Data: 2019-05-09 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


As ditaduras militares constituem um período de singularidade geopolítica devido às repressões e autoritarismos que distinguem o exercício do poder no espaço. Mais do que isso, impactam nossas sociedades, deixando grandes traumas da morte e tortura de opositores, muitas delas tipificadas como crimes contra a humanidade; e também grandes obstáculos a construção da efetiva democracia. Da mesma forma, marcam também a criação e organização artística, levando artistas do período a uma corrente engajada e questionadora, tanto da sua realidade sensível como do objeto artístico e seu título de valor. Tais artistas buscam uma maior valorização da experiência, do protagonismo do espectador e provocação de sua sensibilidade e interpretação. Para tal, um dos caminhos, é a apropriação ou reconfiguração de materiais cotidianos, como vídeos, jornais, notas de dinheiro, ou mapas. A presente pesquisa tem particular interesse nesses últimos, por constituírem uma particularidade da história da cartografia que se convencionou chamar de mapas artísticos. Resumidamente, podemos dizer trata-se de produções ou apropriações de elementos cartográficos por artistas em suas mais diversas formas de expressão, formando uma linguagem híbrida entre obra de arte e cartografia, mas não menos interessante em termos de expressão sobre um espaço. Inclusive porque, podemos destacar o uso dos mapas enquanto ferramenta para o exercício e legitimação do poder, principalmente territorial, fazendo com que os artistas passem a questionar ou apropriar essa autoridade atribuída aos mapas, requerendo novas formas de expressar visões de mundo.  Nessas obras, mapas da América Latina aparecem tomados de vermelho (Soy loco por ti, 1969), obstruídos (La censura, 1974) ou coberto de cacos de vidro (Mapa Mudo, 1979), por exemplo. Assim, esses mapas artísticos não apenas documentam um período histórico, como também expressam concepções de mundo relacionadas às tensões e lutas políticas dos regimes militares sobre as quais pretendemos discutir no presente trabalho.


Palavras-chave


Mapa artístico; ditadura militar; Brasil; Argentina