Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Deodoro Roca, leitor de poesia
Mayra Moreyra Carvalho

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 13/Ilana
Data: 2019-05-09 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-06-03

Resumo


Nossa proposta remonta a uma temporada de estudos na Universidad Nacional de Córdoba, Argentina, como parte de um estágio doutoral financiado pela Capes em 2016. A pesquisa objetivava reconstituir a passagem do poeta Rafael Alberti e da escritora María Teresa León pela província em meados do ano de 1940, quando, recém-exilados da Espanha após a derrota republicana ao final da Guerra Civil, ali se refugiaram até legalizarem sua permanência na Argentina. Nesse itinerário de investigação, apareceu reiteradamente o nome de Deodoro Roca (1890-1942), figura tão inquieta quanto crítica nos círculos acadêmico, político e cultural cordobês daquele momento. O advogado tornou-se amigo e importante interlocutor do casal de republicanos. Seus escritos revelam ter sido ele um leitor ávido, atento e interessado por literatura, em especial, pela poesia. Em dois parágrafos datados pouco antes da precoce morte, Roca afirma seu “horror por la estupidez” e “por la vulgaridad plebeya y letrada”, que, para ele, combatiam-se somente avizinhando-se às artes; em seguida, complementa “sólo aproximándose así a ellas se puede ser un buen abogado” (1972, p. 18). A partir da leitura de seus textos sobre literatura, interessa-nos refletir acerca do modo como o autor do “Manifiesto Liminar” da Reforma Universitária de 1918 (ARLOTTI, 2018), movimento cuja efeméride foi recentemente lembrada ao redor do mundo pelos profundos debates e mudanças que desencadeou, considerava a poesia, como pode ter se apropriado dela e como ela repercutiu em sua formação como pensador que deixaria para a posteridade a contundência e a atualidade das palavras do “Manifiesto”. Ao debruçar-nos sobre a escritura crítica de Roca não pretendemos esquadrinhar o homem, o que estaria fora de nosso alcance, mas esperamos trazer à luz seu pensamento humanista forjado na leitura literária e, desse modo, contribuir para a discussão proposta neste Simpósio sobre a influência da literatura nos processos sociais.


Palavras-chave


Deodoro Roca; Reforma Universitária de 1918; Manifiesto Liminar; Poesia; Crítica