Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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O mapa da água e as disputas pelo espaço urbano na Metrópole do Rio de Janeiro, Brasil
Marcos Thimoteo Dominguez

##manager.scheduler.building##: Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 263
Data: 2019-05-09 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-05-03

Resumo


A presente trabalho faz uma análise sobre as disputas por serviços de água na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) - segundo aglomerado urbano do Brasil -, e como a organização urbana das periferias vem sendo modelada a partir dessas relações de poder. O estudo de caso se desenvolve no Jardim Catarina (JC), loteamento localizado nos limites do município de São Gonçalo.

A partir de uma abordagem histórica, são identificados alguns processos urbanos produzidos pela consolidação da prática de loteamento como meio para geração de capitais fundiários (1940-1970), e pela reestruturação das políticas de saneamento estatal no Brasil (a partir de 1990), centrais para entender a configuração socioespacial atual das grandes metrópoles.

Foram organizados dados sobre investimentos em abastecimento de água e bases cartográficas que serviram para a espacialização dos serviços urbanos. Recorreu-se, também, aos registros da imprensa, incorporando as diferentes representações sociais sobre a RMRJ. No trabalho de campo, entrevistas foram realizadas com moradores, lideranças políticas e agentes públicos, descortinando assim o “Mapa da Água” do JC.

Os moradores perceberam que numa estrutura urbana desigual os enfrentamentos frontais contra agentes estatais não são a melhor estratégia. No “espaço do vivido”, aquilo que Lefebvre chamou de espaços ligados “ao lado clandestino e subterrâneo da vida social”, parece existir uma convivência até certo ponto estável entre esses personagens, o que não quer dizer que não existiam conflitos, muito menos conformismo por parte dos atores locais.

A pesquisa demonstrou que há na periferia urbana uma narrativa da água que modela um campo de poder, cujas engrenagens são pouco visíveis. O fato é que o indivíduo conhece seu campo de ação e os limites impostos pelos diferentes níveis de poder na organização espacial da cidade. Estrategicamente, ele lidará com a cidade possível, garantindo para si melhores condições de vida e legitimidade política.

 


Palavras-chave


América do Sul; Cidades; Periferias; Região Metropolitana do Rio de Janeiro; São Gonçalo