Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Diego Rivera e Pablo Picasso: Os Diálogos Possíveis da Arte como Denúncia dos Povos Oprimidos
Simone Cristina Garcia

##manager.scheduler.building##: Prédio da Letras/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 102
Data: 2019-05-07 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


Tema: a Relação entre Picasso e Diego Rivera na produção de arte popular e política engajada na transformação social.

Pablo Picasso foi uma figura artística e política importante no século XX, além de liderar grupos de intelectuais contra o regime totalitário espanhol, foi uma referência e resistência artística. O seu engajamento político perante a situação política na Europa, fez nascer obras emblemáticas como Guernica, Sonho e Mentira de Franco, Gato agarrando um passarinho, O Ceifador, entre outras, as quais influenciaram uma geração de artistas no mundo. Picasso se expressava e usava a arte como expressão e arma de resistência política. Seguindo esse caminho Diego Rivera também utilizou a arte para denunciar a opressão, a história de exploração e a cultura do seu povo. Foi amigo de Picasso e aprendeu o cubismo através dele em Paris, sendo fortemente influenciado e elogiado pelo mestre espanhol.

Analisando algumas obras de Diego e Picasso, é possível criar diálogos de saberes artísticos, culturais, históricos e pessoais de ambos os artistas: socialistas, militantes e populares. O presente resumo atentou-se na apresentação de Guernica (1937) como percussora de um grande movimento artístico. A partir da denúncia dos horrores não só do bombardeio à cidade mas na Guerra Civil Espanhola, dialogou e popularizou a ação covarde dos governos totalitários europeus. Em comparação, no México, a Revolução foi sem dúvidas o grande abalo das estruturas aristocráticas e Diego Rivera através do muralismo, realizou uma arte popular e para o povo, comunicando a sua história, as lutas e conquistas.

Picasso acompanhou todo o movimento inicial da Guerra Civil Espanhola, assumindo uma posição de luta por meio da sua arte, ao lado da Frente Popular, colaborou com os republicanos. Dentre várias ações, trabalhou em prol aos refugiados e às crianças, e doou 100.000 francos para a compra de leite às crianças de Barcelona. Guernica imortaliza o ato de covardia e a tragédia, através da combinação dos elementos da cultura espanhola, com o sofrimento das vítimas e destruição da cidade. Segundo Cerqueira (2005, p. 35), o artista utilizou as suas temáticas para se expressar, as quais regressão com muita força: tourada, crucificação, o Minotauro, o sofrimento feminino. Não apenas denunciou como também responsabilizou a sociedade para reagir contra o atentado, quando lhe perguntavam sobre Guernica, respondia: “Não fui eu que a fiz, fizeram-na vocês”.[1]

Diego foi um artista da vanguarda revolucionária mexicana, filho da Revolução de 1910 que revelou aos novos pintores, uma nova realidade social e política. Através do movimento muralista aliou-se à causa social e produziu para a população. Com um ideal socialista, Diego Rivera usou o seu trabalho em prol do desenvolvimento cultural de seu povo. Destacou publicamente o aspecto racial, o nacionalismo e a formação de uma consciência identitária e social, que promovesse a emancipação coletiva. “Estava convencido de que só mesmo a pintura mural poderia redimir artisticamente um povo que esquecera a grandeza de sua civilização pré-colombiana durante séculos de opressão estrangeira e de espoliação por parte das oligarquias tiranas” (ADES, 1997, p. 151- 2). Sua arte mural há a influência das vanguardas europeias, caráter de denúncia como em Guernica de Picasso, uma tradição pictórica asteca e maia e tem um apelo político e social, comunicando com o povo por estarem em espaços públicos.

[1] Citado por Argan, em Arte Moderna, 1992, p. 477.


Palavras-chave


Pablo Picasso; Guerra Civil Espanhola; Diego Rivera; arte mural; Revolução Mexicana.