Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

Tamanho da fonte: 
A eterna fuga da ninguendade: Ofensiva do capital, identidade brasileira e latina e produção de neo-ninguéns
Pedro Henrique Antunes da Costa, Kíssila Teixeira Mendes

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 12
Data: 2019-05-09 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-05-04

Resumo


O sentimento de ninguendade perpassa a constituição identitária latino-americana, aparecendo em obras de importantes figuras da literatura e academia, como: Octavio Paz, Eduardo Galeano, Ignácio Martín-Baró, dentre outros. Em comum, encontra-se a crítica à forma como os latinos eram vistos ou se enxergavam (em especial, as maiorias populares empobrecidas e subalternas) em comparação com o centro do capitalismo mundial e imperialismo estadunidense. Assim, o presente artigo objetiva discorrer sobre a atualidade do conceito de ninguendade, cunhado por Darcy Ribeiro, na compreensão da construção da identidade social brasileira, traçando paralelos com outros países latino-americanos (em especial aqueles denominados por ele de povos-novos), face a atual conjuntura econômica, social e política. Segundo o autor, a identidade do brasileiro se forma em meio a uma carência essencial dada por sua natureza mestiça que lhe impõe o desafio de se fazer alguém oriundo do nada; da subtração de não-indígena, não-africano e não-português (principalmente, os dois primeiros). A partir disso, entendemos que a crise estrutural do capitalismo e seu aguçamento por meio da reestruturação produtiva, acumulação flexível, neoliberalismo e ofensiva do capital, fomentam uma ascensão conservadora e reacionária, contribuindo para a criação de inimigos extermináveis (neo-ninguéns). Tal conjuntura intensifica o movimento originário e permanente do brasileiro e latino (guardadas as particularidades dos países), por ser alguém e fugir de sua ninguendade étnica e identitária, aprofundando o binômio Eu x Outro. Como implicação, temos o silenciamento e apagamento daqueles enquadrados na segunda categoria. Nesse sentido, apontamos para a necessidade de compreensão de nossa identidade produzida processualmente face às nossas bases concretas de formação enraizadas nos processos de colonização e posição periférica, de capitalismos dependentes, atrelando-a à divisão social que aqui se produziu a partir das classes sociais em prol do desenvolvimento econômico do centro capitalista, bem como às dimensões étnico-raciais e de gênero.

 


Palavras-chave


Identidade; América Latina; Brasil; Capitalismo Dependente; Darcy Ribeiro