Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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El Bloqueo e a Terceira Bienal de Havana
Maria de Fatima Morethy Couto

##manager.scheduler.building##: Prédio da Filosofia e Ciências Sociais da FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 101
Data: 2019-05-08 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


Na terceira edição da Bienal de Havana, realizada em 1989, evento considerado um marco na virada conceitual de grandes mostras bienais para além dos limites ditados pelo circuito hegemônico, o cubano Antonio Eligio (Tonel) apresenta El bloqueo, trabalho formado por blocos (bloques, em espanhol) de concreto, dispostos no chão de modo a criar o mapa de Cuba. Ao lado do mapa, o artista constrói o título da obra, em grandes letras, também de concreto, encostadas na parede. O recurso a um material banal, utilizado no ramo da construção, torna o trabalho ainda mais potente, pois, ao mesmo tempo em que reforça seu caráter crítico, insere-o sem ressalvas no cotidiano de uma nação que sofria diariamente as consequências do bloqueio imposto pelo governo norte-americano. A repercussão deste trabalho se faz evidente nas palavras de comentadores qualificados da arte cubana. Para Gerardo Mosquera, um dos organizadores da 3a Bienal de Havana, “Tonel conseguiu construir a imagem resumida mais eloquente e complexa da situação de Cuba".

Nascido em 1958, e residindo atualmente no Canadá, Tonel emerge no cenário artístico cubano na década de 1980, em um momento em que, nas palavras do próprio artista, o ambiente artístico de seu país estava bastante aquecido e já se construíam pontes entre Cuba e o sistema de arte internacional. A própria Bienal, cuja primeira edição ocorreu em 1984, foi pensada de modo a reforçar a proeminência cultural do país na América Latina e, simultaneamente, atrair a atenção de outros centros culturais para a produção da região. Além de cumprir esses objetivos, a Bienal de Havana – em especial a partir de sua terceira edição – firmou-se como uma mostra de arte autônoma, realizada fora dos centros euro-americanos, que não se submetia aos modelos mais consagrados, como os da Bienal de Veneza e de São Paulo, insistindo, ao contrário em um regionalismo crítico e auto-consciente. Lançou assim novos parâmetros discursivos para outras bienais realizadas na sequência, como, por exemplo, a 1a Bienal do MERCOSUL (1997).

Minha comunicação tem por objetivo discutir a importância geopolítica da 3a Bienal de Havana e o impacto causado por algumas das obras ali expostas, como El Bloqueo, de Tonel.


Palavras-chave


Bienais de Arte; Tonel, Bienal de Havana; Cartografias; Geopolítica