Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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O gênero nos banheiros públicos: experiências de mulheres lésbicas
Josefina Cicconetti

Última alteração: 2019-03-29

Resumo


A identificação frequentemente simbolizada por figuras nas portas de cada sanitário para “mulheres” e para “homens” traduz-se, muitas vezes, numa exigência, não só de sexo, mas também de um determinado gênero que deve coincidir com os moldes socialmente estabelecidos.

Neste trabalho apresento uma análise crítica sobre as experiências de mulheres lésbicas nos banheiros públicos na cidade de São Paulo. Identificando as desigualdades em termos de gênero e sexualidade, enquanto “marcadores sociais da diferença”, que operam nos banheiros públicos por meio de uma abordagem interdisciplinar entre as teorias Feministas, Pós-estruturalistas, dos Estudos Culturais e Queer.

A não adequação dos sujeitos aos padrões de “homem”/”mulher” gera uma ruptura no sistema heteronormativo, entendidas como as “expectativas, demandas e obrigações sociais que derivam do pressuposto da heterossexualidade como natural” (CHAMBERS, 2003; COHEN, 2005, P. 24; apud MISKOLCI, 2009, p. 156) e aciona diversas técnicas de poder e controle, tornando o banheiro em mais um cenário normativo de afirmação da diferença sexual e do que é a masculinidade e do que é a feminilidade.

A abordagem desses temas se contrapõe à concepção idealizada culturalmente dos banheiros como espaço neutro, no qual sua divisão se acredita dar de forma “natural” e se passa a argumentar, por meio das experiências das mulheres lésbicas entrevistadas, como que este espaço opera como um dispositivo protocolar do gênero, em termos de indicar os limites e as fronteiras dos processos identitários entre os sujeitos.

Assim, o banheiro representa, na sociedade paulista contemporânea, o último bastião do sistema heteronormativo e patriarcal. Sendo este o local por meio do qual, a diferença sexual vai se afirmar e sustentar, já seja no sentido simbólico (os signos, figuras, representações do “masculino” e do “feminino”) ou literal (dispositivos de vigilância e controle dispersos no meio social que instituem modelos de “corpos-homem” e “corpos-mulher”).


Palavras-chave


Lésbica; Gênero; Banheiro Público; Heteronormatividade; Masculinidade Feminia