Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Fronteiras e esquecimento - a presença indígena entre o Brasil e o Paraguai em Noite dentro da noite, de Joca Reiners Terron
Cristiane Checchia

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 13/Ilana
Data: 2019-05-09 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-04-25

Resumo


Passadas cerca de três décadas do início do processo de redemocratização nos países da América Latina, sabe-se que os caminhos pelos quais se deram as tentativas de reparação e as políticas da memória sobre o período ditatorial em cada um deles é bastante distinta. No caso do Brasil, parece consenso o fato de se haver instaurado uma série de obstáculos à memória, verdadeira máquina do esquecimento (SELIGMANN-SILVA, 2014), agora substituída de forma aterradora por uma revisão consagratória desse passado de violência. Enfrentando os bloqueios ao lembrar e à circulação das narrativas apaziguadoras, há diversos exemplos na produção literária brasileira de um vigoroso esforço na luta contra o olvido, assumida agora por uma geração de escritores que trabalham com os restos do passado a partir, muitas vezes, do registro autobiográfico e de olhares permeados pela distância e pela perspectiva infantil. Nestes relatos, o deslocamento entre idiomas, o fluxo entre cidades, o exílio e a experiência dos confins/fronteiras, parece mostrar que o trabalho da memória se erige a partir do trânsito, do caminhar e de desvios que frequentemente eludem os limites impostos por barreiras identitárias e de nacionalidade. É a partir desta percepção que proponho a leitura de Noite dentro da noite (2017), de Joca Reiners Terron. Pela presente proposta, interessa-me investigar a presença das personagens indígenas de diferentes etnias (guaranis-mbya/kadiweus, bororos, chamacocos) que aparecem ao longo do romance de forma ao mesmo tempo tangencial e estrutural, na medida em que a cosmovisão desses grupos é trabalhada na organização temporal e no próprio desenvolvimento do enredo. Trabalha-se assim, de certo modo, a presença invisibilizada e esquecida desses grupos nos diferentes momentos da brutal expansão sobre as fronteiras entre extremo Oeste brasileiro e o Chaco boreal paraguaio.


Palavras-chave


Memória; Literatura Contemporânea; Questão Indígena; Fronteiras