Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Flora Tristan, feminismos, deslocamentos e memórias de uma sociedade escravocrata
Maria Inês Amarante

##manager.scheduler.building##: Prédio da Letras/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 108
Data: 2019-05-08 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-05-03

Resumo


Pesquisa documental, bibliográfica e de campo sobre o tema “A rota africana de Flora Tristan: estação Cabo Verde” orienta este trabalho inédito que trata das observações feitas por Flora Tristán, escritora franco-peruana, no início do século XIX, sobre a sociedade patriarcal e escravocrata cabo-verdiana em sua obra autobiográfica «Peregrinações de uma pária», inspirada nas memórias da viagem que realiza ao Peru. Em sua breve passagem pela Villa da Praya de Santa Maria, na ilha de Santiago, ela registra como repórter de seu tempo a realidade local e inicia duras críticas aos promotores do tráfico afroatlântico, com destaque para a exploração e violência contra mulheres e crianças pelos europeus. Embora já possuísse ideias abolicionistas consolidadas, segundo Denys Cuche (1981) as cenas que presencia representam para ela a profunda desumanização social e estas reflexões vão se estender ao longo de seu periplo latino-americano. Historiadores e pesquisadores cabo-verdianos desde o século passado, a exemplo de António Carrera (1983/2000) e António Correa e Silva (2003/2004) se debruçaram sobre o estudo dessa realidade de diásporas e resistências coloniais. No entanto, há poucos registros históricos como os relatos de Flora Tristan sobre a condição feminina da época. Embora seja uma escritora pouco conhecida no país, seus textos vêm ao encontro do trabalho de mulheres ativistas em educação e gênero, bem como de pesquisadoras que realizam estudos publicados recentemente sobre história e políticas públicas descoloniais voltadas às mulheres na área educativa, do trabalho, inclusão e relações de gênero como Euridice Furtado (2010), Crispina Gomes (2011), Maritza Rosabal (2012), e podem suscitar novos debates sobre os entraves históricos que este passado colonial promoveu na evolução feminina naquele país.


Palavras-chave


Flora Tristan; Mulheres; Memória; Escravidão; Cabo Verde