Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

Tamanho da fonte: 
Literatura e imaginário social: uma leitura dos romances La virgen de los sicarios, de Fernando Vallejo e Rosario Tijeras, de Jorge Franco.
Ana Lúcia Trevisan

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 13/Ilana
Data: 2019-05-07 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-04-25

Resumo


Este trabalho estuda os romances La virgen de los sicários (1994), de Fernando Vallejo e Rosario Tijeras (1999), de Jorge Franco a fim de identificar procedimentos enunciativos reveladores de uma visão crítica a respeito da sociedade colombiana no final dos anos 80. Os romances remontam um modo de narrativa literária que ficou conhecido como “novela sicaresca” por tratar da questão da violência cotidiana protagonizada por jovens sicários, ou matadores, que agem em diferentes cidades colombianas a mando dos cartéis do narcotráfico. O termo “sicarista” evoca, também, o termo “picaresca”, forma narrativa  pertencente à tradição literária espanhola e que permite, nesses romances, inferir uma reflexão crítica imanente ao ciclo narrativo que envolve a desilusão, a violência e a morte, componentes indissociáveis da vida de personagens errantes, marcados pelos ressentimentos e desconfianças.

Os dois romances possuem como eixo temático as trajetórias de vida de jovens sicários, no entanto, as formulações estéticas apresentadas são distintas. Em La virgen de los sicários, o relacionamento amoroso entre um catedrático e um jovem sicário remete a uma incomunicabilidade marcada pela sobreposição de discursos opostos: de um lado a suposta racionalidade civilizadora, de outro, a fluidez da violência como espetáculo midiático. Em Rosario Tijeras, a personagem principal, uma mulher sicária, é descrita por um narrador que naturaliza a imagem do sicariato, transformando-o em uma aventura amorosa inconsequente e polarizada pelo conflito de classes. Nos dois romances, a banalização da violência se faz presente de maneira contundente e a composição das narrativas revela elementos confluentes, tais como o uso do narrador na primeira pessoa e a linguagem que presentifica as vozes dos becos e morros de Medelín. Por sua vez, a história e a memória são questões que perpassam a narrativa, no entanto, não possuem a dimensão coletiva, ao contrário, incorporam uma perspectiva individualizante.

 


Palavras-chave


Narrativa ; Contemporâneo; Sicário; Violência