Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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A Academia Nacional de Bellas Artes e os monumentos artísticos argentinos (1936-1947)
Janice Gonçalves

##manager.scheduler.building##: Departamento de Geografia da FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 11
Data: 2019-05-08 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-05-03

Resumo


Debruçar-se sobre deliberações e trabalhos da Comisión Nacional de Museos y Monumentos y Lugares Históricos (CNMMyLH), criada em 1938, é procedimento incontornável para aqueles que se dedicam a compreender a constituição e estruturação do campo do patrimônio cultural na Argentina. Mas é também relevante o acompanhamento da trajetória de instituição surgida dois anos antes: a Academia Nacional de Bellas Artes (ANBA). Em seus momentos iniciais, a ANBA explicitou preocupações com a conservação dos “monumentos e obras artísticas” argentinos, tendo criado seção específica para propor ações neste sentido. Entre as principais dessas ações esteve a publicação sistemática de uma série de monografias sobre monumentos do país, os “Documentos de Arte Argentino”, compostos por breves textos (dos quais se incumbiram alguns acadêmicos ou especialistas convidados) e farto material fotográfico (produzido pelo fotógrafo alemão Hans Mann). Publicada entre 1939 e 1947, a série “Documentos de Arte Argentino” gerou 26 livros que valorizaram muito especialmente a herança cultural da dominação espanhola. Tendo por base a consulta aos livros de atas da ANBA, bem como aos livros da série “Documentos de Arte Argentino”, a comunicação proposta sistematiza informações e apresenta reflexões de caráter histórico acerca da atuação daquela instituição, entre 1936 e 1947, em prol dos monumentos artísticos argentinos. Tais fontes são analisadas sob a inspiração de categorias propostas pelo sociólogo Pierre Bourdieu, tais como as de “campo” (para pensar o campo do patrimônio cultural ou os antecedentes de sua constituição), “magia social” e “rito de instituição” (para pensar as ações de monumentalização e/ou patrimonialização como atos performativos que transformam o estatuto da coisa, de algo em que predomina o valor de uso ou de troca em algo em que predomina valor simbólico inestimável) e de “crença” (cuja produção é fundamental para disseminação e compartilhamento social do valor atribuído aos bens culturais).

Palavras-chave


Academia Nacional de Bellas Artes; Monumentos artísticos; Arte; Patrimôniocultural. Argentina.