Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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A historieta argentina durante a ditadura militar – um estudo sobre a obra de Héctor Oesterheld
Ana Lúcia Mendes Antonio

##manager.scheduler.building##: Prédio da Letras/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 102
Data: 2019-05-07 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


Em 4 de setembro, é comemorado o dia nacional da historieta argentina. Essa escolha, consolidada pela Ley portenha n. 3220, de 15 de outubro de 2009, é uma homenagem à publicação do primeiro número da revista semanal Hora Cero pela Editorial Frontera, especializada em quadrinhos e fundada por Héctor Gérman Oesterheld e seu irmão, Jorge. Oesterheld é mais conhecido pelo público da nona arte pelo roteiro de O eternauta, que aborda, em um futuro alternativo, os relatos que o viajante do tempo Juan Salvo faz a um roteirista de quadrinhos. Publicada inicialmente em capítulos pela Fronteira, essa, que é considerada sua obra-prima, logo foi transformada em edição integral. Feita em parceria com o desenhista Solano López, no prefácio da publicação, Osterheld afirmou: “O verdadeiro herói de O eternauta é um herói coletivo, um grupo humano. Isso reflete, embora sem premeditação, meu sentimento íntimo, o único herói válido é o herói ‘em grupo’, nunca o herói individual, o herói solitário”. Filho de pai judeu alemão e mãe basca, o roteirista colaboraria em sua carreira com publicações como El Tony, Zig Zag, Misterix e o diário montenero Notícias, criando, entre outros personagens, Sargento Kirk, Ernie Pike e Índio Suárez. Entre 1968 e 1969, ele concebeu a biografia Che: os últimos dias de um herói, com arte de Alberto e Enrique Brecchia – a obra, mais tarde, foi proibida de ser editada e comercializada na Argentina. Com os militares no poder em meados da década de 1970, o roteirista foi retirado de sua casa com suas quatro filhas e preso. Seu corpo nunca foi encontrado, nem suas filhas foram vistas outra vez com vida. O intuito deste trabalho é trazer um panorama sobre a produção desse importante autor, buscando estabelecer aspectos centrais da trajetória de repressão e censura que sua obra desencadeou e enfrentou.


Palavras-chave


História em quadrinhos; Ditadura militar; Censura