Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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"Los recuerdos" em Pedro Páramo: literatura e modernidade no México pós-revolucionário (1945-1955)
Marcos Vinicius Gontijo

##manager.scheduler.building##: Prédio da Filosofia e Ciências Sociais da FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 102
Data: 2019-05-10 09:00  – 01:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


Apresentação tem como tema resultados ou caminhos até então percorridos da pesquisa de mestrado, iniciada em 2018. Tal pesquisa tem como questão central a narrativa, a temporalidade e a dimensão da memória — los recuerdos — na obra Pedro Páramo (1955) do escritor mexicano Juan Rulfo (1917-1986). Ao mesmo tempo em que é relacionada e investigada ao lado do projeto modernizador mexicano iniciado no último quarto do século XIX, e que se transformou e obteve novo impulso após a Revolução Mexicana (1910-1940), sob a égide do Partido Revolucionario Institucional (PRI).

Visto que a fonte histórica da pesquisa, aqui apresentada de maneira breve, trata-se de uma ficção literária, a fala do proponente não escapa à discussão acerca das relações imbricadas entre a ficção, o real e o imaginário. Para tanto, apoia-se na concepção de Wolfang Iser e seus “atos de fingir”, entendendo o imaginário como um “acontecimento de experiência” que intercala o processo de “realização da ficção” e de “irrealização do real”. Outras discussões pertinentes encontram suporte na semiótica defendida por Rolland Barthes e na literatura acerca das características específicas do novo realismo hispano-americano, mais conhecido como realismo maravilhoso; citamos dois nomes: Roberto González Echevarría (2000), em Mito y archivo, e Irlemar Chiampi, em O realismo maravilhoso (2015).

Por outro lado, a apresentação não pode abdicar da abordagem de questões relativas à memória, pois entendemos que a obra Pedro Páramo não ficcionaliza apenas uma oralidade, como também uma memória, uma memória outra, que não é a do discurso acerca da Revolução — vinculada à ideia de modernidade — ainda por se consolidar, mas que não deixa de ser o outro lado de uma mesma moeda, a modernidade mexicana e a violência e o abandono por ela produzidos.

A narrativa rulfiana, portanto, articula e faz emergir uma memória em silêncio desse outro de muitos Méxicos.

 


Palavras-chave


Juan Rulfo; Modernidade; Modernização; História do México; História e Literatura