Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Democracia e gênero no processo eleitoral brasileiro
Luísa Helena Marques de Fazio

##manager.scheduler.building##: Departamento de Geografia da FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 11
Data: 2019-05-08 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-05-03

Resumo


No ano em que a Constituição Federal brasileira completa 30 anos, o mecanismo eleitoral culminou na escolha de um candidato ultraconservador, colocando em xeque o desenvolvimento democrático do país. Em contrapartida, presenciou-se o acirramento da luta dos atores na arena política, sobremaneira dos movimentos sociais, em especial o feminismo. Na eleição presidencial o movimento de mulheres teve participação marcante, opondo-se ao referido candidato através de mobilização iniciada no locus virtual (redes sociais), vindo a ocupar as ruas. O movimento do "#EleNão", organizado a partir da página “Mulheres contra Bolsonaro”, com mais de quatro milhões de usuárias, concentrou cidadãs de todo país e representou resistência às ideias do candidato. As manifestações nas ruas resultaram no maior protesto já realizado por mulheres no Brasil. O presente artigo analisa, com base no feminismo decolonial, a participação efetiva das mulheres no processo eleitoral brasileiro e as perspectivas do empoderamento feminino no porvir. Utiliza dados estatísticos, consistente nas pesquisas eleitorais de todo período, comparando as intenções de voto pré e pós movimento, identificando seu possível impacto no resultado final apurado nas urnas. Através da pesquisa qualitativa nas redes sociais e na mídia, debruça sobre as discussões geradas pela temática de gênero e como ela influenciou nos rumos da eleição 2018. Busca-se responder às seguintes indagações: o endurecimento no campo das ideologias, do direito e da política é restrito ao Brasil ou corrobora um processo que ocorre em todo o mundo, em especial na América Latina? O movimento de mulheres é capaz romper o status quo e tornar-se, novamente, mola propulsora de efetivas transformações sociais e jurídicas? O possível endurecimento das normas jurídicas e das políticas públicas significa retrocesso às lutas feministas? Conclui-se, por fim, que um regime que exclua as mulheres não pode ser denominado de democracia.

Palavras-chave


Democracia; gênero; eleições; "elenão"; participação