Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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A literatura enquanto escrita do rastro e produção da memória em Mario Benedetti e Bernardo Kucinski
Victória Brasil Camargo, Katya Kozicki

##manager.scheduler.building##: Prédio da Filosofia e Ciências Sociais da FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 102
Data: 2019-05-10 09:00  – 01:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


As ditaduras militares impuseram à América Latina um impedimento quanto à memória coletiva. A seus opositores, foram impostos, com grande frequência, torturas, desaparecimentos e exílios, pautados em uma política de apagamento – incentivado, ainda, pelas leis de anistia, agravante da violência simbólica. O objetivo desse trabalho é analisar de que forma a literatura opera como um importante instrumento de produção da memória no contexto latino-americano a partir da obra do uruguaio Mario Benedetti e do brasileiro Bernardo Kucinski. Os objetos são, respectivamente, as obras Primavera num espelho partido e K.: relato de uma busca. A obra de Benedetti retrata, principalmente, a perspectiva do exilado e do preso político que carrega, ao longo de toda a vida, as consequências da repressão. Kucinski, por outro lado, ilustra o lugar de quem fica, ao narrar a busca de um pai pela filha sequestrada e assassinada pelos militares. Em ambos os contextos, o uso da narrativa fragmentada para retratar as ditaduras tem a função de produzir a memória e reunir os rastros – já pensados por Walter Benjamin – deixados pelos desaparecidos. Tal função adquire especial relevância quando se pensa a dificuldade em produzir uma memória coletiva sobre os regimes ditatoriais no cenário latino-americano e o óbice das leis de anistia. Para pensar essas relações, o trabalho se pauta na análise das obras literárias, bem como bibliografia sobre o contexto das ditaduras uruguaia e brasileira. Ainda, a bibliografia historiográfica é utilizada para discutir os processos de produção da memória em paralelo com a literatura, em especial sobre o testemunho em períodos ditatoriais e de violência. Ao fim do trabalho, conclui-se que a literatura é um mecanismo essencial para a produção da memória ao inscrever o relato e possibilitar o testemunho, suprindo, à sua maneira, a falta de políticas que discutam a memória nos dois países.

Palavras-chave


ditadura; Uruguai; Brasil; literatura latino-americana; Walter Benjamin