Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Deslocamentos forçados, criminalização e resistências ao capitalismo extrativista na América Latina e no Caribe
Enara Echart Muñoz, María Del Carmen Villarreal Villamar

##manager.scheduler.building##: Prédio da Letras/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 108
Data: 2019-05-07 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-05-03

Resumo


Desde 2003, com o aumento da demanda de matérias primas e do boom das commodities, América Latina e o Caribe (ALC) consolidaram o caráter extrativista do seu modelo de desenvolvimento. O extrativismo supõe a apropriação dos recursos naturais incluindo setores como a mineração, o agronegócio e a exploração de petróleo, sem medir as consequências sobre os ecossistemas, territórios ou pessoas. Os graves efeitos deste processo geram conflitos socioambientais e o deslocamento forçado das populações (especialmente camponesas, indígenas e afrodescendentes). Contemporaneamente, a resistência ao avanço deste modelo acontece em um clima de crescente criminalização que, segundo Global Witness (2018), fazem de ALC a região mais perigosa do mundo para ativistas medioambientais e defensores da terra.

Combinando as teorias críticas da dependência, sistemas mundos, pós-desenvolvimento e o enfoque decolonial, o paper tem o objetivo de analisar as características que assume o capitalismo extrativista na ALC e seus impactos sobre a vida das populações atingidas, com especial destaque para os deslocamentos forçados. Busca-se também evidenciar a agência dos coletivos atingidos e visibilizar suas lutas, processos de resistência e formulação de alternativas, mediante uma proposta cartográfica realizada pelo Grupo de Relações Internacionais e Sul Global (GRISUL). Resgatamos assim o caráter produtivo, criativo e transformador da realidade social que estas lutas possibilitam. Para tanto, de acordo com Baaz, Lilja e Vinthagen (2017), entendemos a resistência como uma resposta ao poder “desde baixo”, uma prática subalterna capaz de desafiar, negociar ou minar o poder. Assim, apesar do avanço do extrativismo, do aprofundamento da dependência das economias latino-americanas e do aumento da criminalização dos movimentos e da defesa dos territórios, as lutas e resistências, junto com a geração de alternativas crescem na região e mostram uma disputa aberta pelo desenvolvimento a partir de novas práticas e formas de vida que priorizam as cosmovisões, interesses e desejos dos povos de ALC.


Palavras-chave


América Latina, Desenvolvimento, Extrativismo, Resistências