Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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A Importância dos Estudos Decoloniais para Emancipação na América Latina: Reflexões sobre Currículo e Matriz Colonial de Poder
Marcelly Machado Cruz, Éder da Silva Silveira

##manager.scheduler.building##: Departamento de Ciência Política/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 118
Data: 2019-05-08 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-05-04

Resumo


O currículo como território em disputa (ARROYO, 2013), conflito social (GOODSON, 2012), arena política (MOREIRA e TADEU, 2011), correlação de forças (LIMA, 2014) e documento de identidade (SILVA, 2017) é atravessado pela matriz colonial de poder. Pensar a emancipação na América Latina exige identificar as colonialidades nas instituições de educação formal e que se manifestam nos e através dos currículos. O processo civilizatório que marca a América Latina, a partir da invasão europeia que institui o regime colonial, é caracterizado pela modernidade/colonialidade que, através da matriz colonial de poder, mantém o domínio do universo físico e simbólico de nossas sociedades e culturas. A pluralidade epistemológica é cerceada e unificada pela imposição de uma perspectiva eurocêntrica. A colonialidade do saber é constituinte da matriz colonial de poder, manifestando-se como um de seus mecanismos junto à colonialidade do ser e do poder. Ela configura a reprodução epistemológica do pensamento colonial que é hierárquico, excludente e dicotômico. A racionalidade científica moderna age como uma monocultura do saber (SANTOS, 2010), eliminando todas outras possibilidades de produção de conhecimentos. A partir de uma pesquisa qualitativa que teve como objetivo identificar as manifestações da matriz colonial de poder no currículo da graduação em Relações Internacionais, percebemos a necessidade de pensar alternativas decoloniais para conceber possibilidades de currículo que deem vasão à multiplicidade dos conhecimentos e sujeitos que integram o mundo. Dentre outros aspectos, as possibilidades emancipatórias (WOOD, 2003) dos povos latino-americanos passa por conceber uma produção auto-referenciada e pelo exercício de uma desobediência epistêmica (MIGNOLO, 2008) para ruptura do paradigma dominante.


Palavras-chave


Currículo; Decolonialidade; Emancipação; Matriz Colonial de Poder