Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Mais tempo para quê? Uma análise comparada dos fatores associados à extensão da jornada escolar em países da América Latina
Julia Nader Dietrich

##manager.scheduler.building##: Prédio da Letras/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 131
Data: 2019-05-08 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-05-03

Resumo


A mensuração da qualidade de políticas públicas educacionais, desde que entrou na agenda de governos e mecanismos intergovernamentais, sempre se apresentou como um desafio, uma vez que não há consenso sobre o que significa qualidade da educação (Tikly and Barrett 2007; Evans e Popova, 2016). Em especial na América Latina, entre os fatores associados à disputa da qualidade está a duração da jornada escolar. Na literatura, o debate acerca da efetividade do tempo se traduz em três grandes perspectivas de análise, relacionadas direta ou indiretamente a concepções sobre o próprio conceito de educação: uma perspectiva economicista em relação ao tempo, uma perspectiva conceitual de caráter humanista sobre o tempo e uma concepção do que Cavaliere (2007) chama de tempo como resposta às nova configurações da sociedade contemporânea. Por meio de modelos de regressão que utilizam os dados do Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo (2015), esta pesquisa indica que a extensão da jornada escolar nos países latino-americanos produz efeito significativo na proficiência em linguagens, matemática e ciências de estudantes do 3º e 6º anos da educação básica, com distinções entre os países. E, o efeito aumenta quando em interação com outras dimensões da política educacional, em especial a atenção integral ao estudante, a qualidade da prática docente e ampliação das interações na comunidade escolar. Paralelamente, os resultados indicam que a quantidade de horas na escola é mais significativa para a aprendizagem do que a quantidade de horas em sala de aula, reforçando a perspectiva de que as múltiplas interações na comunidade escolar e a perspectiva da educação integral enquanto concepção são necessárias para os avanços educacionais na região (Alexander, 2008; Tikly e Barret, 2008).


Palavras-chave


Jornada escolar; Tempo; Qualidade da educação; Políticas educacionais; Educação integral