Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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A eficácia territorial da literatura contemporânea
Lucas Bandeira de Melo Carvalho

##manager.scheduler.building##: Prédio da Filosofia e Ciências Sociais da FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 102
Data: 2019-05-10 09:00  – 01:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


Como contribuição para o estudo das tensões entre política e estética na literatura latino-americana hoje, este trabalho busca discutir, em diálogo com a teoria da política da estética de Jacques Rancière, com a teoria decolonial e com a literatura contemporânea brasileira, a ideia de “eficácia territorial”. Para Rancière, a arte é política quando rompe as hierarquias de quem pode falar, escrever, ver, pensar o quê e como, e quando rompe a hierarquia de sujeitos, temas e formas. Para isso, precisa operar em um regime, que ele denomina de regime estético, em que o direito de produzir e interpretar uma obra não depende de um título, mas pode ser exercido por qualquer um.

A teoria de Rancière vem sendo utilizada para explicar a emergências de novas vozes na literatura latino-americana, especialmente no Brasil. No entanto, ela deixa de lado uma das características principais das novas vozes, entre elas aquelas que englobamos, na esteira da obra do escritor brasileiro Ferréz, sob o rótulo de “literatura marginal”. Em diálogo com a obra de Rancière, mas tentando operar o que Walter D. Mignolo chama de “desobediência epistêmica”, pretendemos propor a hipótese de uma eficácia própria das literaturas periféricas, subalternas ou fronteiriças (como a obra de Ferréz, Giovani Martins, mas também os saraus da periferia, os slams): a “eficácia territorial”, entendida como a eficácia política e estética da arte que carrega a marca dos territórios específicos em que foi produzida, obras que subvertem a universalidade do campo literário. O conceito de “eficácia territorial” tenta dar conta de certa impureza do puramente literário, mostrando que precisamos, para entender nossa posição na fronteira do sistema cultural, de conceitos construídos a partir dos objetos latino-americanos.

 


Palavras-chave


Política; Literatura brasileira; Literatura contemporânea; Literatura marginal; Jacques Rancière.