Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Discursos sobre a democracia racial em Cuba e no Brasil: Tramas de gênero, raça e sexualidade (1933-1978)
Giselle Cristina dos Anjos Santos

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 10
Data: 2019-05-07 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


A partir de argumentos em defesa da existência de relações raciais harmônicas foram fundamentados os discursos sobre a identidade nacional em Cuba e no Brasil desde a primeira metade do século XX. Contudo, ao longo do tempo, mas especialmente a partir do final da década de 1970, emergiram muitas vozes denunciando que as desigualdades sociais existentes eram consequências diretas das hierarquias raciais, e que essas sociedades estariam muito distantes do alcance da igualdade neste âmbito. O debate, alimentado pelos argumentos de defesa e de crítica ao mito da democracia racial, representa a disputa da construção das memórias sobre o passado e de noções acerca da identidade nacional nos dois países. Essas discussões fomentaram a produção de artistas, intelectuais e literatos, que inseriram em suas obras olhares diversos sobre raça, nação, gênero, sexualidade e mestiçagem. Esta comunicação possui como objetivo discutir a construção dos imaginários sociais sobre o mito da democracia racial na sociedade cubana e brasileira entre 1933 e 1978, relacionados especialmente a figura das mulheres negras, por meio de produções intelectuais. Assim, para debater as representações de gênero, raça, sexualidade e mestiçagem presentes nos discursos sobre democracia racial serão utilizadas as obras do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre (1890-1987) e do etnólogo cubano Fernando Ortiz (1881-1969), em particular os livros “Casa grande e senzala” (1933) e “Contrapunteo cubano del tabaco y el azúcar” (1940).