Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Educando contra tiranos: a maturidade psicológica como governo de si no pensamento de Agustín Álvarez.
Ricardo Gustavo Garcia De Mello

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 16
Data: 2019-05-08 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-05-02

Resumo


PALAVRAS-CHAVE: Educação; Psicologia; Pensamento político-social; Autogoverno; Agustín Álvarez.

A educação compreende o conjunto de forças socioculturais que no processo de socialização humana participam na formação da psique dos indivíduos. É por isso que o entendimento dela não pode ser restringido as esferas institucionais, escolas e oficinas. A educação além contemplar as práticas pedagógicas - o esforço consciente e sistemático de transmissão de conhecimentos e experiências de modo metódico - ela também se faz presente nas relações sociais de modo subconsciente e tácito, a educação invisível.  A pedagogia é a face visível da educação e o convívio a sua face invisível.

A educação é a ação exercida pelas gerações mais velhas sobre as gerações mais novas, para que os indivíduos desenvolvam suas potencialidades e aptidões, a maturidade é a finalidade da educação.

O tipo de forma, regime e caráter de uma sociedade, o modo de vida social, depende de maneira decisiva da educação que forma indivíduos para um tipo determinado de caráter. Os especialistas tendem a enxergar o homem de forma fragmentada e unidimensional, e esquecem que a educação também forma a conduta cívica, o cidadão. Não existe vida política sem sociedade e cidadania sem educação.

O pensador argentino, Agustín Álvarez (1857-1914), foi um importante educador e sociólogo. E sua obra, Manual de patología política (1899), trata dessa relação entre conduta cívica, educação (lato sensu) e regime político. Para ele uma sociedade só é livre se os indivíduos são capazes de se autogovernar, e o autogoverno depende de uma educação capaz de desenvolver a maturidade psicológica. O autogoverno significa ser governado pelas virtudes e não depender e do arbítrio dos mais fortes, astutos e espertos.

O governo geral depende do autogoverno individual, não existe sociedade livre sem autocontrole. Um indivíduo ou grupo que deseja governar ou governa antes de ter desenvolvido maturidade psicológica é um tirano que se comporta como uma criança agigantada que trata as pessoas como um brinquedo. Álvarez entende maturidade psicológica como autogoverno, o governo de si.

Os indivíduos e povos que querem ser livres devem saber que aqueles que não desenvolveram o governo de si, o autogoverno, não vão desenvolvê-lo esperando que o governo seja um pai.