Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

Tamanho da fonte: 
“Novas Direitas” na América Latina: Brasil e Argentina em perspectiva comparada
Franklin Augusto Soares da Silva

##manager.scheduler.building##: Prédio da Letras/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 103
Data: 2019-05-09 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


O objetivo desse trabalho é explicar as causas para as diferentes configurações das “novas direitas” latino-americanas. Utilizo a abordagem comparada entre pares de casos opostos, o governo do PRO de Maurício Macri na Argentina e do PSL de Jair Bolsonaro no Brasil, em três pontos: a) discurso; b) perfil dos ministros; c) perfil dos deputados desses partidos.

Minha hipótese é de que essas diferenças relacionam-se com duas conjunturas críticas (1) Transição das ditaduras militares para a democracia nos anos 1970-1990. Na Argentina houve uma rápida queda do regime, a punição de militares e a sua subordinação ao governo civil, exatamente o oposto do que ocorrera no Brasil, cuja transição pactuada manteve intocada as instituições militares (2) Processo de reorganização do sistema partidário nos anos 1990-2010. Ambos os sistemas partidários que se organizavam em dois pólos (Peronistas e UCR, na Argentina; PT e PSDB, no Brasil) colapsaram de modos distintos, gerando novas forças de direita (PRO na Argentina e PSL no Brasil).

Adotei dois procedimentos metodológicos. Consultei bibliografia secundária (artigos, livros, notícias de jornal) e dados primários em sites oficiais.[1]

Concluo que o discurso fortemente conservador do governo Bolsonaro na política de valorização da ordem social deve-se a um processo de transição que manteve as prerrogativas dos militares que nesse momento retomam um papel político importante após o declínio das direitas tradicionais. Observa-se isso pela forte presença de militares e profissionais de sergurança nos ministérios do governo Bolsonaro e na bancada do PSL. Na Argentina, os novos atores políticos vêm do mercado e adotam um discurso liberalizante, contrapondo-se ao estatismo do governo anterior. Eles são a maior parte dos ministros e deputados do PRO. A ausência de militares explica-se pela ruptura praticada pelos civis durante a transição.


[1] TSE. Disponível em:< http://www.tse.jus.br/> e Câmara dos Deputados da Argentina. Disponível em: <https://www.diputados.gov.ar/>


Palavras-chave


Direitas, Conservadorismo, Transição Democrática, Brasil, Argentina