Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

Tamanho da fonte: 
Habitação e autogestão na América Latina
Guilherme da Costa Meyer

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 15
Data: 2019-05-07 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-04-26

Resumo


O objeto desse artigo é a autogestão na habitação. Os objetivos desse trabalho são: 1) abordar as relações entre as transformações do capitalismo contemporâneo e a produção do espaço, assim como de novas sociabilidades; 2) refletir sobre o papel do Estado na produção de habitação de interesse social na América Latina; 3) problematizar as experiências de alguns movimentos sociais latino-americanos que propõem a autogestão das moradias e, mais especificamente, a experiência uruguaia da FUCVAM (Federação Uruguaia de Cooperativas de Habitação por Ajuda Mútua) e brasileira da União Nacional por Moradia Popular (UNMP). A investigação foi organizada em duas etapas: 1) revisão bibliográfica: urbanização e habitação; 2) pesquisa sobre movimentos sociais que defendem o direito à moradia e à cidade. As bases teóricas dessa reflexão serão o pensamento crítico sobre a cidade periférica, a Epistemologia do Sul (na perspectiva de Boaventura de Sousa Santos), o pensamento pós-colonial latino americano e o conceito de necropolítica do pensador camaronês Achille Mbembe. Dependendo dos processos sociais envolvidos, a habitação tem a capacidade ambígua de apaziguar ou amplificar as lutas sociais. As experiências dos movimentos sociais latino-americanos que propõem a autogestão das moradias exemplificam o potencial de amplificação das lutas sociais (quando a moradia é vista como meio), como o instituto da propriedade coletiva nas iniciativas da FUCVAM (que subvertem o significado mercadológico da habitação, fazendo com que o valor de uso se sobreponha ao valor de troca). Nesse sentido, os movimentos de moradia exercem um papel pedagógico para o conjunto da sociedade, pois evidenciam, dentre outras questões, a necessidade de experimentação prática de outra forma de reprodução da vida social. Contudo, apesar das demandas, do ponto de vista ideológico, serem potencialmente disruptivas, observa-se que na experiência brasileira os programas de habitação autogestionários se tornaram uma política pública residual e de pouca visibilidade.

 


Palavras-chave


Urbanização: Movimentos sociais; Autogestão; Habitação, políticas públicas