Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Os dilemas da modernidade nos rincões nacionais: os escritos de viagem de Euclides da Cunha sobre a Amazônia (1906) e de Roberto Payró sobre a Patagônia (1898)
José Bento de Oliveira Camassa

##manager.scheduler.building##: Prédio da Letras/ FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 134
Data: 2019-05-07 02:00  – 05:00
Última alteração: 2019-04-25

Resumo


Na Belle Époque latino-americana, a Amazônia e a Patagônia foram alvo de intensas disputas fronteiriças (a primeira, entre Brasil, Bolívia e Peru; a segunda entre Chile e Argentina) e se firmaram como temas do debate político e intelectual. O presente trabalho procura comparar dois relatos de viagem para as duas regiões na época: a de Euclides da Cunha para o Alto Purus, no Acre, na chefia de uma expedição oficial do Itamaraty em 1905 e a do jornalista argentino Roberto Payró pelo litoral patagônico em 1898, como correspondente do diário portenho La Nación.

Conferindo um tom ensaístico a seus relatos e incorporando aportes teóricos do Determinismo Geográfico, os dois autores discutem questões em comum: como fomentar o desenvolvimento econômico nessas regiões afastadas e inóspitas? Como povoá-las? Como integrá-las territorialmente ao resto de seus países? Como “civilizá-las”?

Procuraremos cotejar as representações que os dois intelectuais fazem das regiões bem como as propostas políticas e econômicas que sustentam para elas. Ambos coincidem no diagnóstico de abandono em que as áreas se encontram em relação aos governos centrais de seus países, considerando que as medidas por eles adotadas são contraproducentes e recrudescem o cenário de penúria das populações locais (os seringueiros, na Amazônia e os colonos, na Patagônia).

Contudo, enquanto Payró apresenta uma visão otimista e triunfalista do futuro econômico da Patagônia, Euclides é mais reticente em relação à implantação da modernidade na selva amazônica.

O primeiro, em um viés claramente anglófilo, vê a Patagônia como uma “Austrália argentina”, isto é, um espaço desértico a ser desbravado e explorado, a fim de ser transformado numa região de inaudita prosperidade para o país platino. Por sua vez, Euclides da Cunha discute, em seus ensaios amazônicos, os impasses da economia predatória dos projetos de modernização na Floresta Amazônica, que estariam fadados a se tornar ruínas.


Palavras-chave


Amazônia; Patagônia; Euclides da Cunha; Roberto Payró; relatos de viagem