Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

Tamanho da fonte: 
A Negação Enquanto Gosto Burguês: Consumo e cultura política no Brasil, no final do século XIX
Rosangela Ferreira Leite

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 15
Data: 2019-05-08 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-05-02

Resumo


O que comumente compreendemos como espaços de consumos no século XX, no Brasil, podem ser lidos, também, como espaços de narrativas sobre o consumo, construídas no final do século XIX, por uma burguesia nascente. Para realizar estas narrativas foram necessárias modificações arquitetônicas, urbanísticas e de costumes. Tudo isso, em diversos países, eram emblemas de um propalado progresso e, para o caso do Brasil, representava sinais de apagamentos culturais e estancamento do corte mal resolvido de substituição do trabalho escravo pelo livre.

Os agentes de época só poderiam fazer a “passagem traumática”, segundo Florestan Fernandes, do regime estamental à ordem burguesa, uma vez que preservassem traços daquela primeira ordem. Em muitos autores, esses traços apareceram como bricolagem de outras culturas; já para outra parte do pensamento brasileiro, formam transposições de modelos culturais europeus acabados.

Nesta comunicação parte-se da análise das iconografias sobre o consumo no século XIX, e caminha-se rumo à narrativa que a burguesia construiu sobre ela mesma. Nossa hipótese central é que a burguesia passou da valorização dos gostos importados à negação dos problemas cruciais da sociedade brasileira como uma forma de gosto. Ao passo que este fenômeno ocorrera, as contradições dos mundos do trabalho tiveram que ser apagadas e as percepções sobre as cidades (re)inventadas. Os fenômenos testemunhados no início do século XX são resultados desse longo movimento de invenção de uma tradição que deu suporte ao fazer-se burguês.


Palavras-chave


Consumo, Brasil, Burguesia, Habitat.