Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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Paulo Emilio: paraguaio?, brasileiro?, cubano? ou mexicano?
Victor Santos Vigneron

##manager.scheduler.building##: Departamento de Geografia da FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala de Vídeo
Data: 2019-05-07 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-05-02

Resumo


O propósito deste trabalho é identificar os vínculos da crítica cinematográfica de Paulo Emilio Sales Gomes com o cinema latino-americano e, mais especificamente, com os filmes mexicanos dos anos 1950. Embora tenha se convertido ao cinema brasileiro, é notória em sua obra a ausência de reflexões sistemáticas acerca da cinematografia dos países vizinhos. Ao lado dos panoramas de cinematografias europeias, apenas dois artigos do Suplemento Literário tratam de uma pesquisa sobre as cinematecas na região (“Rudá na Unesco” e “Situação latino-americana”, 1961). Assim, o progressivo abandono de sua formação eurocêntrica em proveito do estudo da situação “colonial” do cinema brasileiro (“Uma situação colonial?”, Suplemento Literário, 1960), não é acompanhado por uma sensibilização ante os filmes latino-americanos. No entanto, o caso mexicano é particular na reflexão de Sales Gomes. Este caso não supõe um enraizamento regional de suas reflexões (apesar do emprego do conceito de “subdesenvolvimento” [“Cinema: trajetória no subdesenvolvimento”, Argumento, 1973]), mas permite ver sob uma ótica diversa seu diálogo com os filmes que surgem sob o “milagre brasileiro”. Por um lado, o cinema mexicano (e, em menor medida, o argentino) foi evocado como um modelo de proteção à produção nacional (“Ao futuro perfeito” e “Uma revolução inocente”, Suplemento Literário, 1961). Mas para além disso, a hipótese específica deste trabalho é que a obra mexicana de Luis Buñuel, incorporada por uma via europeia (“Veneza 52”, Anhembi, 1953), parece oferecer um percurso que desaguaria, anos mais tarde, no interesse do crítico por filmes ligados ao ambiente periférico de São Paulo. Em outras palavras, o choque causado pela Cidade do México que aparece em Los olvidados (1950, dir. Buñuel) parece ser reatualizado em filmes onde a migração para as periferias parece ser a tônica, de Zézero (1974, dir. Ozualdo Candeias) a Um caipira em Bariloche (1973, dir. Amácio Mazzaropi e Pio Zamuner).


Palavras-chave


Cinema; Crítica; Cidade; Migração; Periferia