Conferências FFLCH - USP, I Congresso Internacional Pensamento e Pesquisa sobre a América Latina

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A América Latina e a emergência da sociedade moderna: os estudos de Juarez Brandão Lopes e Alain Touraine sobre a desintegração do mundo arcaico.
Ricardo Festi

##manager.scheduler.building##: Departamento de História/FFLCH - USP
##manager.scheduler.room##: Sala 12
Data: 2019-05-09 10:30  – 01:00
Última alteração: 2019-05-04

Resumo


Esta comunicação analisará o surgimento e o desenvolvimento das pesquisas sociológicas na América Latina sobre o mundo do trabalho e da indústria, ao longo das décadas de 1950 e 1960, destacando-se as interpretações produzidas por elas sobre a região. Para isso, far-se-á a contextualização desse momento histórico, marcado pela perspectiva de modernização da sociedade capitalista e pelas ações de governos e organismos internacionais favoráveis ao desenvolvimento das ciências sociais como fontes de instrumentalização das ações políticas. Nesse caso, o papel dos intelectuais frente ao processo de transformação latino-americana será problematizado, tomando como foco e como comparação os casos da sociologia uspiana do trabalho e da sociologia industrial chilena. Destacar-se-á, também, a relação dessas “escolas” com os intelectuais franceses da sociologia do trabalho. No caso brasileiro, as pesquisas e produções de Juarez Brandão Lopes, são compreendidas como principal influência nas teses que marcaram a tradição da sociologia uspiana do trabalho, em particular as suas reflexões sobre a desintegração do mundo arcaico pela indústria e a prevalência do atraso no moderno. Seus estudos o levaram a concluir que o operário industrial de origem agrícola almejava fugir de sua condição proletária, o que caracterizaria um dos aspectos de seu conservadorismo. Ao mesmo tempo em que o brasileiro realizava as suas pesquisas, no Chile, Alain Touraine e uma pequena equipe de jovens acadêmicos impulsionavam um estudo de sociologia industrial nas cidades de Huachipato, compreendida como a representação do moderno, e de Lotta, o exemplo do atraso. As conclusões do francês foram muito semelhantes com as do paulista. A questão central, no pensamento dessa geração, estava em verificar a capacidade dos países latino-americanos de emergirem enquanto sociedades modernas e, para isso, buscava-se os sujeitos sociais capazes de impulsionar as ações políticas para esse fim. A comunicação se baseia nas pesquisas realizadas em tese de doutorado em sociologia.


Palavras-chave


Modernização; Sociologia do Trabalho - Brasil; Sociologia do Trabalho - França; Alain Touraine; Juarez Brandão Lopes